21 de junho de 2021

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Sinais dos tempos: Biohacking x A Besta

sinais dos tempos: biohacking

Enfim, chegamos ao ponto polêmico, que não penderá para espiritual nem para científico. Talvez essa seja a primeira vez que as duas faces da moeda estejam sendo expostas e novamente, “talvez” isso ajude a amenizar a divergência de ambos os lados, afinal, como dito no juridiquês: “inaudita altera pars” – ou: “Não ouça um sem que o outro seja ouvido”. Nesse artigo da série “Sinais dos tempos” vamos falar sobre bio-hacking e o ponto de vista cristão.

O que é biohacking?

Basicamente, trata-se de aprimoramentos corporais, obtidos através de implantes magnéticos, eletrônicos e até sequenciamento genético. Um item comum que pode ser encontrado com bastante facilidade é o RFID subcutâneo, que pode ser útil para destravar portas, acessar computador e celular, ligar algum aparelho etc. Um braço robótico movimentado por sinais neurais parece bem um biohacking, mas não tenho pleno conhecimento do conceito para afirmar que o seja, ou se realmente necessita ser algo introduzido ao corpo, como o neuralink do Elon Musk. O fato é que se tratando de tecnologia, existem apenas 2 tipos de pessoas: as que conhecem e as que não conhecem tecnologia.

O sinal da Besta

Por que o RFID subcutâneo tem sido chamado de “sinal da Besta”? – A resposta acaba sendo bastante óbvia se considerarmos que a maioria das pessoas não são da área de tecnologia, incluindo os próprios cristãos.

Não se trata de evangelização, mas precisamos saber as origens de uma crença, ainda que uma parcela de pessoas seja ateu ou agnóstico. Apenas leia com a mente aberta e veja que interessante a origem dessa relação.

A bíblia relata de forma abrangente que no “final dos tempos” surgiria uma Besta que dominaria sobre as nações. Diz também que haverá um sinal na mão direita ou na testa e quem não tiver esse sinal não poderá comprar e será tratado como bandido. Se você é cristão, peço que também tenha a mente aberta para “viajarmos” até a outra face dessa moeda.

O número do homem

Como abordado no artigo anterior relacionado: “Números“, somo apenas um número. E não há outra forma de controle que não seja essa, desde o princípio da contabilização das criações de animais, no início da humanidade. Conforme passados os séculos, alguns documentos foram criados de formas distintas, uma vez que não havia computadores nem bancos de dados e o armazenamento e controle era todo em papel. Logo, era possível ter mais de um RG (eu tive 2 mesmo estando sempre em SP). Mas também precisamos de um documento de maior importância, que é o CPF. Precisamos de uma certidão de nascimento, documento de habilitação para dirigir, passaporte para viajar. Para comprar precisamos de um cartão, de uma conta bancária ou dinheiro de papel moeda. Assim, quando precisamos fazer qualquer negócio que envolva documentação, acabamos tendo que contratar um documentista ou um contador ou um advogado, tamanha a complexidade. Oras, e se tivéssemos um sistema único de identificação no qual nosso número contivesse as informações sobre habilitação, passaporte, emprego, residência, tipo sanguíneo etc? Pois já há bastante tempo que o documento único vem sendo planejado e é “óbvio” que em algum momento existirá, porque não é viável nem para o cidadão e nem para o Estado o mantenimento de tantas estruturas para tratar um único indivíduo. Pensando nisso, vamos além.

Imagine alguém sendo assaltado, alguém acidentado, alguém desmaiado. Mesmo se tratando de um documento único, não estar com ele ou não estar com vários tem o mesmo efeito; não há como se identificar. Uma pessoa desmaiada sem os documentos não apresenta sinais da razão de estar desfalecido, o que poderia ser identificado em seu documento único. Da mesma forma um acidentado. Imaginando um documento global, as pessoas teriam a capacidade de memorizar um número complexo? E as pessoas mais velhas? – Provavelmente poucos conseguiriam fazê-lo.

Não há apenas o lado extremo, mas há também o lado cômodo. Imagine estar à beira de uma piscina, pedir uma bebida ao garçom e não ter que tirar um cartão da sunga, ou sair para secar a mão e pegar o documento. Muitas situações de conforto como essa também são proporcionadas, o que fará com que muitas pessoas desejem esse recurso voluntariamente. Mas de que modo?

O abstrato

Novamente o exemplo do artigo anterior: Uma empresa não é um indivíduo, mas é tratado como um ser abstrato quando falamos que “a empresa tem horário flexível” ou “a empresa permite trabalhar de bermuda”. Os critérios são convencionados por um grupo hierárquico, indo de gerentes à diretores da empresa, mas quando se concebe a estrutura, a empresa se torna uma “entidade abstrata”; algo difuso, mas que torna sua vontade superior e irrevogável, pois não há a quem peticionar, uma vez que a empresa não é uma pessoa e suas normas precisam ser seguidas. E qual a relação do abstrato com tudo o que foi citado até aqui?

“Seu número é o nome de um homem”

Não há (pelo menos até agora ou pelo menos que eu saiba) um indivíduo para ser chamado de Besta. Pode ser uma pessoa ou uma organização, mas os cristãos mantém-se em alerta ao menor sinal. E claro, o RFID subcutâneo é algo que provoca estado de alerta, tamanha a semelhança com a descrição do sinal, conforme a bíblia. Mas o que definirá o sinal da Besta é algo como o (ou o próprio) documento único. Ninguém é obrigado a ter documentos, mas se não tiver um CPF, consegue-se financiar um imóvel? Do mesmo modo, o documento único não será obrigatório, mas quem não tiver, não comprará. Não podendo ser identificado, será tratado como cidadão?

O cristão verdadeiro não usaria um chip de identificação único em nenhuma circunstância, por duas razões:

  • Os ensinamentos bíblicos recomendam que não se macule o corpo.
  • A servidão atrelada ao então “sinal da Besta”.

Onde estaria a Besta nessa história? Certamente não no documento, mas sob a circunstância em que deveríamos adotá-lo, possivelmente nos sendo imputado algum modo de subserviência, o qual não seria aceito pelos princípios cristãos. Haverá uma dominância global? Que tipos de critérios podem ser impostos ou, teríamos um documento universal, que poderia ser consultado em qualquer país?

O número 666 é citado na tradução da bíblia como sendo o número de um nome. As especulações ficam por conta de cada um, mas nessa mesma citação também está escrito que “quem for entendido que calcule”. Não diz “sábio”, mas quem tenha compreensão daquilo que o número está relacionado. Isso pode significar que, sendo algo em torno de tecnologia e, por mais que seja explícito, não será percebido claramente por todos.

Muito provavelmente o documento único é inevitável e possivelmente esse será o momento em que os cristãos poderão ser fragilizados, dependendo das condições relacionadas à sua adoção, mas por enquanto o que temos sobre biohacking não é nada a se preocupar e esses RFID não oferecem risco nem de alergia.