Posso usar o nome ou o logo do Arduino?

Esse post é pra discorrer sobre uma situação idiota que se encaixa perfeitamente com o autor da situação.

Recentemente um ser imprestável começou a atrapalhar a vida de quem vende pelo Mercado Livre, fazendo denúncia do uso do nome Arduino. Diversos vendedores estão sem poder vender e diversas pessoas que querem aprender não estão podendo comprar de diversos vendedores já.

Vamos aos fatos:

No site do Arduino tem um link relacionado à marca, com o primeiro parágrafo acima. Como descrito, o logo e a marca não são permitidos e não podem ser usadas sem permissão. Para blogs e grupos, apenas o logo da imagem de destaque desse artigo é permitido.

Um site ou blog não pode conter em seu nome a palavra “Arduino”. Deve-se dizer explicitamente que a placa não é um Arduino e qualquer suporte é de sua responsabilidade.

Se você vende um sensor BME280 e afirmar que é compatível com Arduino, tem que colocar algo como “Sensor BME280 para usar também com Arduino” (porque é a forma explícita em português de causar a disrruptura com a marca).

Agora vamos às considerações.

A relação do nome pela marca tende mais a uma metonímia do que ao interesse de falsificação, uma vez que o hardware é um projeto aberto. Por exemplo, “Gilette”, para lâmina de barbear. Ou então, “bombril”, para palha de aço, ou “Xerox” para fotocópia.

Não permitir o uso do nome é um direito, mas parece um tanto danoso, uma vez que isso condiciona a não popularização do nome dos precursores que abriram o caminho para a popularização da eletrônica digital.

Apesar de que os makers sabem bem a diferença entre um Arduino original e um “Arduino paralelo”, muitos iniciantes podem ter receio em adquirir algo que não remeta ao nome, pois não saberão no primeiro momento identificar a MCU na placa e a disposição dos recursos do GPIO.

O nome “Arduino” se atrelou ao Atmega (que é a microcontroladora e não a placa de desenvolvimento) de forma que as pessoas usam a marca pelo nome e daí a consideração da figura de linguagem em questão. O nome “Arduino” se tornou o “Nescau” das placas de desenvolvimento baseados em Atmega e não houve contestação durante muito tempo. Fazê-lo nesse momento será um desrespeito com a comunidade que alavancou a plataforma, criando gratuitamente uma imensurável quantidade de bibliotecas para a plataforma, seja através do repositório oficial ou não, assim como bloggers e vloggers que tem criado tanto material para auxilio e troca de informações relacionados à eletrônica digital com “Arduino”.

Claro que pegar similares escritos UNO e dizer que é Arduino de forma explícita é uma grande inverdade, e para os detentores da marca isso importa; eles não querem essa relação, pois um projeto pode eventualmente conter erros e prejudicar a marca. Mas acredito (e isso é uma opinião pessoal) que utilizar “Arduino Paralelo” ou “Arduino VP” (de “Versão Paralela”) ajudaria a todos.

Em suma, um baba-ovo está denunciando os vendedores do Mercado Livre e com isso estamos perdendo a liberdade de compra. E a culpa não é do baba-ovo, já que esse é só um coitado em busca de atenção; a culpa é do Arduino NG, que quer transformar a marca em uma divindade. Sei que as palavras são forte, mas estou me dando a liberdade de exprimir uma opinião pessoal nesse momento, já que estou sendo diretamente afetado como consumidor.

O que pode ser feito a respeito? Bem, nada relacionado ao Arduino. Mas você pode fazer outra coisa, que é deixar de usar Arduino e passar a usar ESP8266 ou ESP32 por exemplo. Nesse caso, você vai ter 80MHz ou 240MHz respectivamente, contra 8MHz ou 16MHz do Arduino, fora as outras características que fazem do ESP uma placa muito superior, com Bluetooth e WiFi nativos. No caso do ESP32, ainda se tem 2 núcleos para utilizar em suas aplicações.

O Arduino foi muito bom para o mundo maker, mas convenhamos que hoje não precisamos mais de Arduino pra nada. Existem montes de outras opções, como o baratíssimo STM32 e em todos esses casos você poderá usar a IDE de desenvolvimento do Arduino para programá-las, com pouca ou nenhuma modificação no código. Ou melhor ainda; o KBIDE, que permite programação em blocos, facilitando consideravelmente para iniciantes e iniciados. Assim, até a IDE do Arduino é dispensável.

Aqui tenho um artigo relacionado ao KBIDE programando um ESP32. E se preferir uma programação mais profissional, recomendo fortemente o Visual Studio Code com PlatformIO, que é a combinação que tenho usado há algum tempo já, com auto-completion, referências à biblioteca, exemplo no gerenciador de bibliotecas, abas e mais uma enormidade de recursos.

Particularmente não gosto da forma que a marca Arduino se impõe, dando margem para doidos sem noção acharem que estão revolucionando o mundo impedindo a propagação do nome sem a benção das divindades criadoras. De qualquer modo, não chame mais seu Atmega standalone de “Arduino Standalone”, porque em algum momento esse “chapeleiro maluco” pode lhe causar problemas.

Sabe o jogo “UNO”? Então, não pode usar mais esse nome porque eles também são “donos”. O jogo vai ter que virar “ONE” ou qualquer coisa do tipo. Talvez a base numérica Italiana e espanhola tenha que ir do ZERO para o DOIS direto. E a Italiana pode ser que pule do ZERO para o TRÊS, já que existe o Arduino DUE. [fim da ironia]

É trágico, mas temos que nos conformar.

Ao idiota que acendeu o estopim, meus parabéns, agora é só esperar a medalha de honra ao mérito – que nunca virá, porque sua ação foi sem sentido.

Updated:

Aparentemente há uma companhia por trás dessa ação, mas não colocarei o nome até a confirmação. Qualquer coisa, faço outro artigo.

Djames Suhanko

Djames Suhanko é Perito Forense Digital. Já atuou com deployer em sistemas de missão critica em diversos países pelo mundão. Programador Shell, Python, C, C++ e Qt, tendo contato com embarcados ( ora profissionalmente, ora por lazer ) desde 2009.

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