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1 de julho de 2022

Do bit Ao Byte

Embarcados, Linux e programação

MX Ergo ou MX Master 3?

MX Master 3

Quase todo o vídeo de review do MX Ergo tem o gancho: “Se você está sofrendo de tendinite, o MX Argo…”, como se mouse trackball tivesse sido criado para quem já se lascou todo com um mouse de 10 reais. Do outro lado, um mouse de arrasto, o MX Master 3, com suas peculiaridades. Qual é o melhor? Qual o ideal? Vamos ver a razão de cada um desses modelos e entender suas vantagens e desvantagens.

MX Ergo trackball

O primeiro mouse surgiu antes de existir interface gráfica para usá-lo. Ele foi criado pelo pesquisador Douglas Engelbart no instituto de pesquisa de Stanford, lá em 1963. O mouse era um quadrado de madeira para movimentação nos eixos X-Y e os primeiros mouses comerciais começaram a ser vendidos no ano de 1970. A evolução dos mouses foi muito modesta durante muito tempo, até que em algum momento surgiram os mouses trackball – que faz muito mais sentido. O tradicional “mouse de arrasto” é uma coisa burra, pois se para escrever utilizássemos a mesma lógica, estaríamos usando uma máquina de escrever com tela. Se fôssemos ler um PDF, teríamos que ter um caderno digital com cabo pra paginar. O mouse trackball é o dispositivo mais condizente com a realidade do computador, onde a mão fica constantemente em repouso e o movimento é feito movendo a esfera, que pode estar em diferentes posições, dependendo do modelo de trackball.

Nos anos 90 eu já utilizava o trackball, com esferas intercambiáveis para melhor controle do dispositivo. Na época era um espetáculo, porém nessa época, qualquer mouse tinha o mesmo problema; as esferas prendem em pequenos intervalos, reduzindo a precisão e fluidez do movimento. Para a época, era o que tínhamos, então tudo bem.

Em 1999 a Microsoft revolucionou, criando o mouse óptico. A partir daí, os mouses com bolinhas foram deixando de ser usados. Era uma droga ter que abrir o compartimento da esfera pra fazer limpeza constantemente. Logo, surgiu também o trackball ótico, mas foi aí que os mouses começaram a definir seus destinos.

Tanto o mouse trackaball como o mouse de arrasto com bolinha tinham uma parte mecânica em comum; eixos para comportar o movimento da esfera. Quando surgiu o mouse ótico, esse problema acabou para o mouse de arrasto, mas tornou-se um problema insolúvel para os trackballs. O mecanismo de movimento da bolinha reduz a fluidez do movimento e os mouses óticos de hoje em dia tem resoluções incríveis, tornando inaceitável qualquer deficiência na operação do mouse.

Por alguma razão, a Logitch continuou criando mouse trackball, além de continuar vendendo os modelos pré-históricos. O MX Ergo é um espetáculo de trackball na parte lógica. Podemos utilizá-lo em 2 computadores, alternando de um para outro com um mero clique no botão próximo à roda do mouse. Na lateral há também um botão de mudança da resolução, para alternar entre velocidade e precisão. E ainda conta com alguns botões extras – porém, ainda que com ajuste de precisão, o MX Ergo continua tendo uma resolução muito inferior aos mouses de arrasto, como o MX Master 3, que é o supra-sumo dos mouses. Ainda tem mais um problema; a falta de precisão gera um esforço muscular, enquanto tentamos corrigir os desvios e engasgos. Utilizando-o durante algumas horas, senti a tensão no pulso e mão.

Eu diria que atualmente o trackball não é mais uma opção para o dia-a-dia, infelizmente. Mas é uma opção excepcional para utilizar em voos ou em mesas pequenas, parques e lugares onde não haja espaço adequado para um mouse pad.

MX Master 3

Se gostou da relação histórica que fiz brevemente no texto mais acima, talvez alguns dos próximos parágrafos também te agradem.

Até meados dos anos 2000, os mouses utilizavam uma interface serial mini-din, que era muito semelhante à interface de teclado PS2, da mesma época. Logo surgiram os mouses USB e claro, as interfaces verde e lilás dos teclados e mouses caíram em desuso. Nessa época já haviam alguns critérios para compra de mouse: Interface USB e ótico. Mas os mouses não pararam de evoluir, não é mesmo?

A precisão dos mouses óticos continuaram a ser incrementadas, assim como os preços. Esses dispositivos que outrora eram acessíveis a todos nos mesmos padrões, hoje possuem categorias: Mouse gamer, mouse com iluminação RGB, mouses sem fio. Mouse sem fio hoje é um critério também para quem vai comprar? – Eu diria que nem sempre. Mouse com fio tem resolução mais alta, seus cabos são bastante flexíveis, para realmente não atrapalhar o movimento. Nessa categoria, adquiri um G502 Se Hero, que vem com uma caixa de pesinhos para adicionar ao mouse e deixá-lo confortável, conforme a preferência do usuário. Mas se você tiver 2 computadores, precisará de 2 mouses – e, ok, não é a coisa mais comum do mundo ter dois computadores, mas quem trabalha em home-office coloca um laptop ao lado do outro, provavelmente. É meu caso.

Para solucionar o problema de compartilhamento de teclado e mouse, adquiri um KVM (que já foi artigo também – Switch box VS Hub USB). O acrônimo vem de Keyboard Video Mouse. Como cada dispositivo tinha uma interface diferente antes do USB, fazia sentido o nome. Hoje podemos agregar impressoras, webcams e tudo o mais que for USB a esse switch de intercâmbio. Mas aí surgiu outro problema; trocar de um computador para outro levava alguns segundos, porque o sistema operacional precisa fazer novamente o reconhecimento e reconfiguração dos dispositivos. Que droga, mas dá pra conviver. Porém estamos na segunda década do novo milênio, haveria de ter uma solução melhor!

O MX Master 3 soluciona o problema de forma bastante eficiente. Ótico, boa resolução, rolagem horizontal, botões configuráveis, scroll infinito vertical (acionado através de um botão atrás da roda do mouse), bateria recarregável através de interface USB-C, esse mouse permite conectar-se em até 3 computadores, selecionando-os através do botão que fica embaixo do mouse – que aliás, é o único ponto fraco, a meu ver. Esse botão poderia muito bem ser em cima.

O mouse é lindo, extremamente confortável e ainda conta com um recurso de software que permite trocar de um computador para outro simplesmente arrastando o mouse para fora da tela. Isso mesmo, teclado e mouse compartilhados de forma transparente, inclusive cópia de arquivos!

Só tenho comprado mouses da Logitech, porque sem dúvidas, tem sido minha melhor experiência. E convenhamos, se temos que nos manter diante de uma tela para trabalhar, que isso seja prazeroso! E considerando tudo o que abordei, o trackball, que apesar de ser um “vovô” na categoria, ainda tem seus propósitos. Agora, os preços de ambos os mouses são “bem” salgados. Se você tiver uma grana para investir em ambos, faça-o. Se não, reserve uma grana para o MX Master 3, porque é certeza de satisfação. Se tiver curiosidade, dê uma olhada na loja da Logitech e confira todos os modelos de mouse.

Vídeo do MX Ergo e MX Master 3

Um vídeo de review estará disponível em nosso canal DobitaobyteBrasil no Youtube. Se não é inscrito ainda, inscreva-se e clique no sininho para receber notificações. No vemos lá!