31 de julho de 2021

Do bit Ao Byte

Embarcados, Linux e programação

Biografia do Autor de Do bit Ao Byte

Autor de Do bit Ao Byte

Já há muitos anos artigos do blog tem sido usados como material de apoio para estudo e TCC por todo o Brasil, mas já vi TCC com link do blog e o nome de outra pessoa, então comecemos por aqui: Djames Suhanko, muito prazer.

Com o passar dos anos, diversas coisas que aprendemos acabam caindo em desuso, substituídas por outras tecnologias ou simplesmente são deixadas de lado. Ainda assim, a experiência acaba servindo como base para outro, outro e mais outro aprendizado. Em dado momento fica bem mais fácil aprender coisas novas, graças aos conceitos adquiridos com o passar dos anos.

Comecei a mexer com tecnologia lá nos anos 80, quando tinha uns 12 anos. Programava um módulo CP200, posteriormente um TK85, então passei por algumas gerações de desktop, inclusive com processador Cyrix K5. Não são momentos que me trazem saudade e nem acho que sirva como motivo de orgulho, mas foram os primeiros degraus da minha jornada.

No começo dos anos 90 trabalhava por conta, fazendo remasterização de discos de vinil e fitas K7. Até deu um grana boa, na época não era tão popular esse processo e os gravadores de CD (2x) custavam uma fábula. Ainda no começo dos anos 90 comecei a aprender Photoshop, aficionado pela revista PC Master. Mas chegando em 1997 e trabalhando o dia inteiro com remasterização, me estressei com o Windows, que travava de tempos em tempos e uma certa parte do trabalho sempre tinha que ser refeito. O processamento na época não era dos melhores e a masterização de 1 música poderia durar mais de 1 hora. Foi então que decidi largar tudo e aprender aquele sistema que foi citado na revista PC Master: Linux.

A Internet nos anos 90 era uma coisa precária, mas em relação à BBS era algo incrível. Conheci um funcionário da Red Hat, que me ensinou diversos conceitos de rede e a partir de então consegui seguir um novo caminho, onde comecei a expor minhas descobertas escrevendo artigos para a outrora Linux.trix.net, Linux in Brazil e por fim br-linux.org.

Fiz muitas coisas antes de firmar em tecnologia. Quando adolescente, estudei no SENAI, onde fiz tapeçaria de autos, mas tinha aulas de desenho mecânico, o que acabou me levando para a PROTEC, onde fiz o curso especializado – daí minhas aplicações em relógios de madeira, desenhando minhas engrenagens, com vídeos de CAD instruindo o processo.

Fiz alguns cursos de desenho artístico no SENAC e aos 18 anos trabalhei como cartunista em um jornal de 100 mil exemplares quinzenais. Mas nada me satisfazia, eu queria mais. Voltando à 97, a primeira coisa que considero brilhante foi habilitar meus gravadores de CD IDE no Linux, que até então não tinham suporte, mas em uma compilação do kernel consegui habilitar o dispositivo IDE emulando SCSI, que era o único tipo de dispositivo gravador suportado pelo aplicativo de linha de comando cdrecord. Foi a primeira vez que tive o gosto de fazer algo expressivo e altruísta, ajudando outras pessoas – e que era coisa fora do padrão do mercado, onde a cultura era esconder conhecimentos.

Tive a oportunidade de trabalhar também com Photoshop, fiz de propaganda digital a outdoor (quando ainda era permitido em São Paulo).

Em 2004 tive meu primeiro desafio na outrora URANET, uma empresa espanhola de callcenter que tinha um grande CPD, onde eu cuidava de aproximadamente 150 servidores Linux. A primeira coisa importante que fiz lá não era ainda relacionado aos servidores, mas à agilização do processo de reinstalação de sistemas operacionais nos computadores de operação, com quase 5 mil computadores, onde as operações duravam de meses a anos, mas quase todos os dias havia reinstalações para se fazer. Na época usavam o ghost, que era um programa extremamente burro. Era necessário criar disquetes com driver de rede, um boot no client e um boot no server. A operação tinha que ser feita por duas pessoas e os técnicos não tinham habilidade para criar os disquetes dos drivers, o que acabava se tornando uma tarefa para mim, que era de redes. Por essa razão criei o Phantom, que posteriormente recebeu um sistema mínimo criado pelo Marcelo Barros. Graças a isso consegui criar meus próprios sistemas usando os conceitos desse SDK. O Phantom era um sistema de clonagem com suporte a SAMBA, NFS, backup local, remoto, recuperação por CD, DVD, boot por pendrive, CD e rede. Era totalmente guiado, tendo ganhado uma interface guiada feita em QT, em 2009. Não usava servidor gráfico, apenas o framebuffer da placa de vídeo. Com tudo, o sistema operacional tinha 14MB e ele se tornava servidor e cliente, podendo ser operado por apenas uma pessoa. Criei um particionamento que permitia o backup no próprio computador, de modo que se o problema não fosse HD, a recuperação se dava de forma mais rápida ainda.

O Phantom foi ganhando recursos gradativamente e teve quase 50 versões em alguns poucos anos de existência, utilizado em montes de países. Na época ele era hospedado por voluntários no Brasil, mas o acesso era tão grande que alguns não conseguiram comportar a hospedagem por muito tempo. Eu havia feito internacionalização na época, com um voluntário gerando os textos em inglês e um argentino fazendo os textos em espanhol. Um recurso que o fez aparecer na TV infelizmente não era relacionado ao backup em si, mas havia colocado nele o recurso para quebrar senha de BIOS, Windows e Linux, porque ora ou outra um técnico ou operador esqueciam as respectivas senhas. Então alguém na Santa Efigênia – SP, usou para quebrar senhas e roubar arquivos, vendendo isso como serviço, já que o Phantom tinha suporte aos sistemas de arquivos Microsoft também. Quando foram presos, o sistema apareceu na TV. Bem, não era o tipo de publicidade que eu esperava.

Enquanto ainda trabalhava na Uranet, tive a oportunidade de escrever um artigo de 3 páginas para a revista que tanto admirava; a PC Master! Foi um momento de êxtase passar pela banca de jornal e ver a revista lá, com meu artigo publicado.

Por um breve período trabalhei em um lugar que não gostava – a Catho , onde criei um robô de backup de switches. Lá tive a oportunidade de configurar o empilhamento de switches de borda de rede. Apesar de ser uma breve passagem, o robô de backups de switches se tornou um legado. Só pra constar; o problema não era relacionamento, mas atividade.

Em 2010 comecei um trabalho interessante, bastante indefinido. Eu atuava em redes e embarcados na empresa que criou os discadores dos modems 3G. Uma das coisas que fiz para se tornar produto foi instalar um Linux dentro do modem 3G, então ele poderia ser usado dentro do Windows normalmente e também servia como boot, para quem quisesse usar um sistema seguro em um computador não confiável – por exemplo, uma LAN house. Mas nessa empresa acabei tendo a oportunidade de apresentar meu trabalho para a empresa alemã AXIROS – parceira da Lightcomm na mesma época. Passei a trabalhar por alguns anos na AXIROS, fazendo implementação do sistema TR-069 e ministrando aulas de Python para as equipes dos clientes na América Latina. Conheci alguns países na Europa graças a esse trabalho e acredito que tenha sido o trabalho mais significativo da minha carreira, considerando que tomei ciência do backend das operadoras de telecom, que tem segredos que a maioria das pessoas não sabem.

Tive a oportunidade única de trabalhar como assistente técnico pericial, onde com 13 dias de empresa fui nomeado Perito Forense ad-hoc pela polícia civil em um caso que foi exibido praticamente em todas as emissoras de TV. O Big Boss me dava oportunidades e a sensação era de viver um CSI. Mas o único lugar que se pode viver isso é “nessa” empresa; o Instituto Brasileiro de Peritos.

Atuei como programador, sysadmin, engenheiro de redes, engenheiro de redes e segurança (esse último, no Mercado Bitcoin) e por fim, abri minha empresa de serviços para poder atuar como PJ.

Por um tempo trabalhei com visão computacional e inteligência artificial, mas era algo realmente fora da minha área de atuação e tive um apoio muito grande de um especialista, que escreve código para a mainline do OpenCV – O Leonardo Lontra.

Em todas as empresas que trabalhei graças a Deus deixei alguma marca positiva, um legado. Atualmente faço um esforço para deixar alguma marca também em embarcados, o que deve levar um tempo ainda. De qualquer modo, estou às margens de 1.000 artigos publicados, meus primeiros 300 vídeos (do qual a evolução é notória) e algumas bibliotecas que se encontram no gerenciador de bibliotecas do Arduino. Mas na Internet não dependo só de mim, mas de vocês que leem meus artigos e assistem meus vídeos. Por isso nunca deixarei de ser grato pelo voto de confiança que vocês me dão ao clicar em um link ou fazer um compartilhamento. Sem vocês eu não teria ultrapassado a marca de 500.000 acessos em um ano, nem estaria a menos de 1 mês de chegar aos 2.000.000 de views.

Foram aproximadamente 1.000.000 de palavras escritas em artigos com média de 1.000 palavras. Escrevi um bocado e, concordemos que escrever artigos técnicos é bem mais complicado que escrever assuntos de terceiros.

Espero poder propiciar muito mais conteúdo a vocês, com ou sem pandemia, catástrofe natural ou qualquer coisa que seja.

Meu muito obrigado a todos vocês, de coração (terminando em grande estilo, com um cacófato).